dá pra encarar ou não?

15 mar

O Fernando Conde, que acompanha e participa do blog, recentemente comentou que seu tio havia comprado uma Les Paul “Gibson” chinesa num desses sites de produtos chineses tipo e-bay.

Quem já visitou esses sites percebe que as fotos dos clones de Les Paul são geralmente fantásticas, parecem realmente com as originais e deixam a gente babando de vontade de comprar uma dessas “Chibson” por 200-300 dólares.

Caso ainda não conheças, siga esse link e digite “Les Paul” no campo de “Search Products”:

DHGate

Quem entra nesse site fica pelo menos meia hora – praticamente TODOS os possíveis clones de Gibsons, Fenders, Gretsch, PRS, etc. estão lá.

Antes de mostrar as fotos e os comentários do Fernando, posso adiantar algumas coisas essenciais:

1) – Por favor, não perca um minuto do teu tempo pensando se uma dessas cópias chinesas pode sequer chegar perto de uma Gibson (ou qualquer outra americana ou japonesa) original. Sério!

2) – A maioria das fotos – ppte das “Custom Shop” – são fotos de Gibsons reais que eles pegam “emprestado”.

3) – A qualidade das madeiras, hardware e construção é muito inferior e razoavelmente bem disfarçada pelos acabamentos sintéticos e truques estéticos (que veremos adiante)

4) –

Aparentemente

, eles de fato enviam o que compramos (os calotes tipo comprar e não receber são raros), mas existe um universo de diferença entre o que vemos/imaginamos nas fotos do site e o que chega em nossa casa.

5) – O americano tem um ditado que sintetiza tudo isso: “You get what you pay for” ou seja “Voce recebe o que você paga”. No Brasil temos uma muito boa também: “Quando a esmola é demais, até o santo desconfia” kkkk!

Acompanho essas Les Paul Chinesas há anos, já fui vítima de uma (

clique aqui

) e postei a

análise de uma Epiphone

também.

Existe um vídeo famoso no YouTube: “How to Spot a Fake Gibson” (como identificar uma gibson falsa):

Mas certamente os chineses já assistiram esse vídeo…:)… Imagino uma cena assim:


Mas vamos lá – segue o relato com as fotos e comentários do

Fernando Conde

– os meus adicionais estão em vermelho):

A guitarra e realmente uma cópia
descarada, com direito a adesivos “Original Gibson USA”, mas analisando
com calma encontramos alguns pontos que entregam sua origem asiática.

Braço:
Bem acabado e confortável,para outros…eu estranhei pois estou
acostumado com minha GX GG1 que tem o braço “gordo” e foi o que até hj
melhor me adaptei por ter virado “guitarrista” a pouco tempo (Tocava
Violão)e ter a mão exageradamente grande, Head estilo Gibson com
assinatura “Les Paul” e o verso o serial e Gibson USA gravados em baixo
relevo, meio estranho pois a madeira fica a mostra e dá um grande
contraste com o preto e aquele mogno asiático claro.

Marcação
Escala: Escala perfeita trastes grandes, polidos e bem instalados, não
necessitaram de alinhamento ou retifica, a marcação de trapézio em
madre-perola sem marcas de Cola… agora a marcação lateral deixa a
desejar, aqueles “dots” estavam desalinhados principalmente no fim do
braço quase rente o corpo, na 12º casa então muito inclinados.

Corpo:
Ele optou pela preta então fica mais difícil dizer se é inteiriço ou se
tem emendas. A junção do corpo e braço, conforme
informações do próprio luthier dele estava Ok.

Ferragens:
Cromadas sem defeitos, estavam perfeitas… as tarraxas são estilo
vintage Kluson Tulipa, gravado o nome Gibson no verso, são boas e não
comprometem em nada e vão ficar, sem problemas.

Captação: Não vi a
guitarra com captação original mas segundo ele são boas e na etiqueta
diziam ser Gibson Alnico mas pude ver que estavam gravadas como
Epiphone, mas ainda duvido que sejam originais… o metal de baixo
muuito amarelo e a solda do aterramento do cover com a carcaça muito mal
feita.

Elétrica: Ponto negativo, as soldas são terríveis, inclusive um “pot” de volume estava com mau contato e teve de ser reposto.

Acabamento:
Pintura sem detalhes muito boa, só não gostei muito dos frisos pq em
partes estão branquinhos e em outras meio amarelados.

Som: Não
posso falar muito pq meu contato com ela foi de +- 40 mim. já com a
captação trocada (captadores GFS de alnico) mas achei muito boa e com bom sustain.

Resumo:
Apesar dos problemas encontrados ainda achei uma boa compra pelo valor
final(+- R$ 900,00 com impostos). Inclusive achei superior as Epiphones.

“Visão geral da guitarra”

“A tampa do tensor seguindo o mesmo desenho e
fixação das Gibson (2 parafusos) já que a maioria das chinesas são
fixados com 3.”

(Bem, essa daí eles já se tocaram – foi só tirar um parafuso, hehehe)

“Nessa vc pode ver claramente as marcações/bolinhas laterais desalinhadas,
infelizmente com a câmera não deu pra capturar a diferença de
coloração no friso lateral, mas acredito que depois a cor vai se
igualar no tom amarelado”

“Detalhe aqui para as tarraxas com a logo Gibson e o serial em
baixo relevo.”

“Comparação dos braços desses 2 modelos, o da SX visualmente mais
gordo que o da LP.”

(A angulação do headstock não é de 14º, mas maior que 10º)

“Aqui é pra mostrar o detalhe do acabamento extra do tailpiece – vc pode
ver uma arruela que foi colocada pra cobrir aquele erro de 2mm que
comentei no blog.”

“Nessa vc pode notar a escala e os trastes que comentei
no Blog que não necessitaram de retífica e/ou nivelamento, vieram 100%”


No detalhe, o acabamento ruim da cavidade, com uma “lasca” aparecendo por baixo da moldura

Existem inúmeros artigos e sites na internet comparando as chinesas com as Gibson. A maioria mostrando dicas de como identificar uma cópia.

Esse blog do luthier neozelandês

Glyn Evans

tem fotos bem legais. Um dos pontos mais fáceis de identificar uma chinesa era a ausência de cobertura do binding nas extremidades dos trastes. Nenhuma chinesa tem isso….Ou tinha… Eles já perceberam e as mais recentes TEM as pontas dos trastes por baixo do binding:

As Gibsons são assim (com fret edge binding):

As chinesas ERAM assim:

Agora estão assim:

Ainda entupidas de verniz, mas como diz próprio Glyn: “It’s getting harder to spot them!”… Realmente, pode chegar o dia em que só um cara muito experiente vai identificá-las… 🙂

A não ser, claro, que a gente se depare com esse selo:

“Bench Tesred – Buikkit Approvud”??? Meu Deus!! Só isso já basta. Não precisa nem olhar a guitarra kkk!:)

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Sessão Especial de meia noite: HORRORES ESCONDIDOS

Alguns caras mais ousados retiram o verniz pra ver o que tem “embaixo” dessas guitarras chinesas. Eu mesmo radiografei uma e descobri que o mogno dela tinha 144 furos!


Essa seguinte é uma Les Paul até muito bonitinha. Pela foto inicial de longe, parece ok, mas daí o cara removeu a tinta:


Ele retirou a fina camada superior e inferior (folha ou veneer) que é usada para esconder emendas ou defeitos nas madeiras. Observe que o top de maple tem áreas bem feias e irregulares



O mogno posterior. Como sempre, com várias emendas,geralmente de pedaços de árvores diferentes, com densidades e sonoridades distintas.

Nessa Les Paul SX, um dos blocos tinha um buraco que foi preenchido com epóxi, serragem e pequenos pedaços de madeira. Coisa feia!




SOCORRO!

E as Epiphones?

São feitas na china (numa fábrica própria atualmente) – será que também têm alguma gambiarra?

Aqui, o cara se deu ao trabalho de remover a tinta:

Talvez 4 emendas, todas de aspecto diferente. Pelo menos o bloco do meio é relativamente grande.

E esse outro infeliz, que descobriu que o suposto braço de mogno de sua Epi era na verdade maple (com uma grossa (põe grossa nisso) cobertura de verniz colorido.

Observem a espessura do verniz. No post, o cara diz que o braço passou de grosso pra fino! kkkk:)

Pelo menos é um maple até que bonitinho:)

O Caio acabou de postar um comentário levantando a questão das cópias japonesas dos anos 70/80: Burny e Greco, ppte.

Essas são outro papo. Algumas eram até melhores que as Gibsons da época, inclusive com specs vintage.

Eu compraria uma Greco ou Burny antigas sem pestanejar. Atualmente a Greco produz guitarras tipo Les Paul, mas feitas na china…

Essas guitarras merecem um post só pra elas.

E, pra finalizar, não estou “malhando” os chineses. Eles estão aproveitando um hiato de mercado (se é que podemos considerar assim). Conforme mencionado pelo Anderson em seu comentário, “a China é país com o maior número de certificações ISO do mundo”.

Culturalmente, para a China, o ato de copiar não tem o mesmo grau de “pecado” que para nós ocidentais.

Não os condeno, mas também não os absolvo 🙂

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